Conheça o método de Benchmarking que desenvolvi

Depois de passar vários constrangimentos apresentando benchmarking “tradicionais”, empíricos e subjetivos, desenvolvi um método próprio, onde é possível quantificar e qualificar ao mesmo tempo.

Não tenha receio, este método foi desenvolvido por mim em 2009 e já foi realizado para várias empresas, dentre elas:

Vale, Infoglobo, Cemig, Iveco, Banco BDMG, Direcional Engenharia, UNA, IESB, Microcity, IETEC, Circuito do Rock, Super Nosso, Procriar, Prefeitura de Contagem, entre outras.

Benchmarking Tradicional
Habitualmente, os benchmarking’s tradicionais de sites, portais e aplicativos mobiles são desenvolvidos por um especialista com alguma (ou muita) experiência na área, aplicando uma avaliação subjetiva similar ao demostrado abaixo.

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Acha mesmo que alguém investiria R$ 200 mil baseado em algo assim? Você, no lugar do cliente, se sentiria confortável ou convencido apenas com isso?

Benchmarking de Recursos e Funcionalidades

Qual é a diferença?
Por este método, é possível realizar um mapeamento profundo no produto (site, aplicativo mobile) de forma a quantificar e qualificar os recursos e funcionalidades, por meio da relevância das informações para o negócio do cliente e, acima de tudo, para quem usa ou consome os produtos interativos.

Passo 01
Inicialmente, é preciso mapear todos os recursos, conteúdos e funcionalidades do site, aplicativo ou produto. Durante este processo, você vai agrupar as informações por macro-categorias, separando-as por tipo (institucionais, informações do produto/serviço, contato, diferenciais, entre outras).

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Passo 02
Nesta etapa, será necessário colocar um peso/relevância para cada conteúdo ou recurso encontrado.

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Importante:

  • O peso deve ser distribuído para cada item, sendo que a soma dos pesos precisa obrigatoriamente fechar em 100. Defina quais conteúdos encontrados têm mais relevância para o produto ou serviço, dando-lhes um peso entre 1 e 100.
  • Para tornar o benchmarking e o processo ainda menos subjetivo, avalie com o público final (quem compra ou utiliza) qual conteúdo ou recurso tem mais relevância.

Passo 03
Nesta etapa, também será necessário atribuir pesos, entretanto, estes serão dados a todas as macroáreas encontradas.

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Importante:

  • Assim como no passo 02, os pesos devem ser dados baseado na relevância da área para o produto, obviamente, na ótica de quem o consome.
  • O valor total dos pesos deve obrigatoriamente dar 100.

Resultado 

Quando você baixar a planilha, verá que o resultado final (e por área) automaticamente será gerado, similar aos exemplos abaixo:

Resultado Final

como_e_feito_finalResultado  da área institucional

como_e_feito_institucionalImportante

É fundamental destacar que este método faz apenas um mapeamento do cenário momentâneo, frente aos concorrentes. Ele poderá servir de base para o mapeamento de conteúdo, melhorias a serem realizadas, pontos fortes e fracos do site ou produto.

Porém, ele deve ser utilizado atrelado a outros métodos, pesquisas, entrevistas e muita conversa ;

Dúvidas?
Fique à vontade para entrar em contato pelo contato @ guilhermemarques.com

10 coisas que aprendi trabalhando com UX

1.     Entenda o negócio do cliente
Antes de colocar a mão na massa e aplicar qualquer método, você sabe para quem está trabalhando? Conhece realmente o cliente? Sabe exatamente qual ou quais problemas precisam ser resolvidos? Conhece a fundo os produtos e serviços da empresa? Qual é o maior problema atual? Quais são as limitações do negócio? Onde a empresa quer estar daqui a 5, 8, 10 anos??? Como o produto que você está prestes a desenvolver vai te ajudar na gestão estratégica da empresa? Você já tentou utilizar o produto ou serviço da empresa?

Entender o negócio do cliente a fundo é fundamental. Isso te poupará muito tempo na utilização de métodos e na criação de relatórios,  além de evitar o constrangimento de ser questionado por algo básico nas reuniões de entrega.

2.     Aplique métodos
Mesmo que você acredite que seguir determinado caminho é o melhor para o projeto, devido a ter feito vários sites do mesmo seguimento, saia do empirismo. Aplique métodos que auxiliem na descoberta e que subsidiem sua tomada de decisão. UX não é uma receita de bolo. Nem sempre usar os mesmos métodos do projeto passado, fará com que você obtenha as informações suficientes. Então, avalie com critério qual o melhor método para cada momento do projeto. Está em dúvida de qual método usar? Veja aqui uma lista detalhada dos entregáveis.

3.     Desconfie dos números
Sabia que o Google Analytics não registra todas as visitas do site? Trabalhei em um projeto que este número chegou a 30% quando comparado com o log do IIS. Uma coisa é o que os usuários falam, outra, é o que que eles realmente fazem quando não estão sendo observados? Já leu sobre o erro do milk-shake?

Isso não quer dizer que precisa ser cético às pesquisas. Entretanto, consiga tirar delas a base ou tendência para guiar seu projeto confrontando com os demais métodos.

4.     Não reinvente a roda
Já estudou sobre as convenções existentes? Já parou para pensar no modelo mental das pessoas e como elas já esperam que as coisas funcionem antes mesmo de você começar a prototipar? Se você tivesse que criar um ícone que represente a ação de salvar, qual seria? Qual imagem representaria salvar para você? 

Então, por que quebrar o modelo já esperado pelos usuários reinventando a roda? Inovar? Ser diferente? Criar tendência? Ok, mas para isso, tenha uma justificativa que gere valor para o produto, serviço ou negócio da empresa.

5.     Converse com a equipe
Mesmo que você seja um consultor renomado, que tenha vários prêmios e projetos publicados, não se engane. Não existe nada melhor que uma boa conversa. Perceba que ao se distanciar da equipe do projeto, você pode propor uma solução complexa, custosa ou até mesmo, inviável.

Participe do dia-a-dia da empresa. Esteja presente nas reuniões de desenvolvimento e na implementação do produto. Acompanhe a publicação. Assim, verá que ainda tem muito a aprender.

6.     Entenda as pessoas
Você pode ser Jedi no Axure, pode entregar protótipos de altíssima fidelidade, pode ter criado um método próprio de benchmaking para quantificar e qualificar simultaneamente. Porém, nada disso bastará se você não entender o que realmente leva os usuários a comprarem e utilizarem o seu produto.

Saia de trás do computador. Vá a campo e realize pesquisas etnográficas. Observe as pessoas no local onde elas têm contato com o produto que você esta prestes a desenvolver.

7.     Se atualize
Participe de grupos e fóruns, leia os livros da área. Mesmo no Brasil, acontecem vários eventos interessantes. Existe um lugar onde é possível encontrar todas as informações para quem quer se manter atualizado.

8.     Prototipe
Seja no quadro ou no papel, no Axure, Power Point ou no Wireframe.cc, materialize o quanto antes sua ideia. Compartilhe com a equipe o caminho que você pretende seguir. Não espere todos os relatórios para começar a compartilhar. O quanto antes perceber que está errado, melhor será. Afinal, esta é uma das grandes vantagens de se prototipar e descobrir, o quanto antes, que você pode estar errado.

9.     Faça testes de usabilidade
Foi se o tempo em que realizar testes de usabilidade era algo surreal e distante. Atualmente, é possível utilizar diversas ferramentas para testar online ou no desktop. Se precisar de argumentos para convencer seu chefe, recomendo este link.

Não conheço forma melhor do que ver na prática se tudo que foi proposto irá realmente funcionar. Para isso, recrute usuários reais do produto ou serviço, não deixe que as pessoas que estão participando influencie nos testes. Se quiser usar sua irmã no teste, ok. Mas só se ela estiver no grupo de personas do produto.

10.  Reitere
Fazer novamente, insistir, repetir, renovar, reiterar uma ordem. Está claro para você que, na maior parte de nossos projetos, trabalhamos com produtos que não são atemporais? Quando você faz um benchmarking ele nada mais é que uma foto do cenário atual?

O quão rápido o mercado muda? A empresa, concorrentes, produtos, pessoas…
Mesmo que você seja e esteja apenas envolvido nos projetos, tenha em mente e deixe claro ao cliente que o ciclo de vida do produto está diretamente ligado à manutenção da experiência do uso.

Bônus: Seja ágil
Em tempos de Scrum, aprendi que priorizar e entregar primeiro o que mais tem valor de negócio muda completamente o resultado final do produto. Sendo assim, não deixe que os métodos, processos e relatórios lhe tirem a visão de que o produto precisa gerar valor e receita o quanto antes e, muito do que inicialmente foi planejado, pode nem ser desenvolvido se não for relevante para quem usa ou para quem paga o projeto.

Imagem: 10 coisas que aprendi trabalhando com UX

Projetos 2008 / 2014

Tirei um tempo para publicar alguns projetos que desenvolvi de 2008 até agora. Claro que nem todos podem ser divulgados, sendo assim, compartilho apenas parte dos protótipos navegáveis.

Entretanto, antes de desenvolve-los, muitas reuniões com cada cliente, equipes de desenvolvimento, fornecedores, comercial e usuários foram necessárias. Além disso, várias etapas como benchmarkinganálise de métricaspersonas,pesquisas online / presenciaisentrevistasetnografiacard sortingmapeamento inventário de conteúdomodelo mentalstoryboardscasos de usoanálise heurísticastestes de usabildiade, análise de acessbildiade foram fundamentais para que chegássemos no resultado final.

Veja os projetos.

Everything is a Remix

O diretor canadense Kirby Ferguson está finalizando finalizou uma interessante série de vídeos intitulada como Everything is a Remix.

Você confere abaixo quarto três, dos quatro vídeos prometidos para a série que aborda a criação, o combinar de ideias e a cópia. Ele também define que os elementos básicos da criatividade são a cópia, o transformar e combinar.

  • Criação requer influência!

Everything is a Remix Parte 1 

Everything is a Remix Parte 2

Everything is a Remix Parte 3 

Everything is a Remix Parte 4 

Novo site da CEMIG (portfólio)

Novo site da CEMIG

Para quem não conhece (especialmente fora de Minas Gerais), a Cemig é um dos mais sólidos e importantes grupos do segmento de energia elétrica do Brasil, constituído por 58 empresas e 10 consórcios.

Fui convidado pelo Grupo A&C (responsável por todo desenvolvimento) a atuar como consultor na Arquitetura de Informação do projeto.

Para isso, convidei meu amigo Caio Cesar e realizamos entre outras pesquisas, as seguintes ações:

  • Análise de métricas
  • Entrevistas com usuários do site
  • Personas
  • Sessões de Card Sorting
  • Recomendações para distribuição da informação e organização do sistema de navegação
  • Wireframes

O site você confere em www.cemig.com.br 
Ficou curioso para saber como era o site antes? Aqui tem algumas imagens.

1 ano de Bolt Brasil

O que se pode fazer em um ano?

Certo do quanto ainda pode ser feito, dedico este post a todos os amigos e colegas da Bolt Brasil. Amigos que me ensinam, compartilham e se envolvem. Amigos que lutam, brigam, mas acreditam.

Hoje sou um pouco de cada um de vocês.
Obrigado pela oportunidade de fazer parte do dia a dia que cada um de vocês.

Hoje posso dizer sem receio, que aprendo muito com todos os arrobas abaixo…

Juntos somos mais fortes e podemos mais.
@andresaliba @AlexBolt @marcobolt @sjardim @iaramarcal @emersonbroga @samueljudd @guidt @marinaplf @danielmariz @jeanpimentel @samuelguimaraes @grazielakamei @filipesouza @igorleroy @janainaoliveira @lucasbernard @dannyrios @vanessaruas @Vivys @machadoju @lucilenerc @cris_zannin @duda81 @renatodpaula @brunoflmg @LucianaLeitte

Design Centrado no Usuário

Tive a oportunidade de dar uma palestra na UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) na Escola de Ciência da Informação, para os alunos da especialização em Gestão Estratégica da Informação.

Você confere abaixo o arquivo utilizado. Vale lembrar que além do arquivo, tivemos explicações durante a conversa, então, qualquer dúvida, é só falar.

Um agradecimento especial ao Rodrigo Marques Quintas pelo convite, e ao Filipe Souza pela ajuda.

Desusabilidade do Poupa Copos

Durante alguns meses trabalhei em um prédio onde existia um “Popa Copos” instalado no corredor. Diferente dos dispensers de copos tradicionais, este produto vende o conceito de economia na utilização evitando o desperdício, visto que ele libera um único copo em sua utilização.

Entretanto, ela falha em seu princípio mais básico, liberar facilmente o copo a ser utilizado.

As pessoas sempre enfrentavam dificuldades na sua primeira utilização, muitas delas, não conseguiam retirar o copo, fazendo com que a curva de aprendizado fosse muito alta.  (As pessoas pediam ajuda a outros funcionários da empresa, tentavam abrir a parte de cima do equipamento, ou até mesmo, ficavam sem tomar água.)

Como podem ver no vídeo abaixo, para liberar o copo os usuários precisam mover para a esquerda uma peça azul e aguardar que o copo caia.

Parece fácil né? Mas não é.

Agora, vamos aos problemas:

  • Como a parte que o usuário move parece uma lingueta, muitos tentavam puxar e não, mover. (em menos de quatro meses, encontrei três peças quebradas em cima do equipamento)
  • Além de mover a peça para esquerda, é necessário aguardar o copo cair (cerca de 1 segundo). Mesmo parecendo pouco, como o equipamento tem uma mola em sua composição, o modelo mental da maioria dos usuários, era apenas mover e deixar que a peça volte automaticamente.  Quando isso ocorre, o copo é amassado ao meio pelo próprio equipamento gerando frustação e desperdício.
  • Para finalizar, avaliando a utilização mais de perto, percebi que apenas mover a peça para a esquerda não funcionava em sua grande maioria, era preciso ainda, dar uma “balançada” na peça para que o copo fosse liberado.

Antes de escreve este post, avaliei o mesmo equipamento em três lugares distintos, para me certificar que além dos problemas de usabilidade / concepção do produto, não se tratava apenas de um defeito do equipamento que existia em minha empresa. Não para minha surpresa, em todos, pude constatar todos os problemas e mais um importante, a utilização do equipamento por pessoas mais velhas, era muito mais problemático. As ações de mover e aguardar a queda dos copos, não eram percebidas como naturais.

Possíveis soluções e melhorias para o produto?

  • Ajustes na peça que é puxada pelos usuários (formato, cor, ergonomia) além de ajustes nas cores e instruções do equipamento que ajudem no entendimento (cognitivo) que a ação esperada é para mover para esquerda.
  • Substituição do formato mecânico (de mover) para uma ação mais direta e inconfundível, como, apertar um botão.

E você tem alguma sugestão para melhorar a usabilidade deste produto?

We All Want to Be Young

O vídeo abaixo não fala de usabilidade, arquitetura de informação e, tão pouco de acessibilidade. Entretanto, ele nos conta um pouco mais do perfil do consumidor para qual projetamos a maior parte das coisas que produzimos.

Feito pela empresa BOX1824 o filme “We All Want to Be Young” traz o conceito das gerações jovens e suas tendências de comportamento.

Gostou?
Veja também uma série de reportagens do Jornal da Globo, sobre as gerações